O LADRÃO E O CÃO DE GUARDA




         Um ladrão rondava a casa de um homem rico porque pretendia assaltá-la, mas hesitava em fazê-lo pois tinha medo do cão de guarda que a protegia, um animal grande e que parecia ser muito feroz.

          Até que em certa noite ele se encheu de coragem e foi até à residência que observava, levando na bolsa alguns pedaços de carne que tencionava dar ao cachorro para que este se acalmasse quando os visse, se pusesse a comê-los, e dessa forma não chamasse a atenção do seu dono com latidos. Mas assim que o larápio jogou os nacos de carne por cima da grade que cercava a residência, o cachorro lhe disse:

          - Se por acaso você está imaginando que desse jeito conseguirá calar a minha boca, então cometeu um grande erro, porque essa sua gentileza repentina serviu para despertar ainda mais a minha atenção. Por isso, não tente entrar aqui em casa, pois tenho certeza de que por trás desse seu gesto existe uma intenção oculta que visa o seu próprio interesse, e ele certamente causará prejuízo ao meu dono.

          Moral da história: Gentilezas inesperadas são a principal característica de alguém cheio de más intenções.

Baseado em uma fábula de Esopo

O Jardim das delicias






A menina precisava ser informada do que iria acontecer. Sua mãe tinha ido com ela, cedo para o hospital.

Foi tudo muito rápido, entrou uma enfermeira que ajudou sua mãe a vesti-la adequadamente para o ato cirúrgico e logo saiu. Mariana ficou conversando com a mãe que segurava sua mão. Até que penetrou no mundo dos sonhos.

Horas depois sua mãe ainda estava ali ao seu lado. Mariana ainda não havia acordado. Um sorriso tão lindo iluminava seu rostinho. Sua mãe ficou muito curiosa para saber como ela estava se sentindo. Lá pelo final da tarde a mãe da menina ficou sabendo. Mariana lhe contou assim que acordou:

Mamãe sonhei que estava em um jardim passeando. Na verdade, não sei contar direito como era. Lá tinha muitas pessoas diferentes, e todas eram novatas como eu. Mãe você não imagina o que vi, tantas coisas lindas e deliciosas...
A grama era verdejante e muito cheirosa, quando me abaixei para tocá-la percebi que não era grama, tinha em minhas mãos pedacinhos de açúcar cristal, pintados de verde e muito brilhantes. As flores que cercavam os jardins em toda a sua extensão eram cheias de cores, rosa, amarelas, vermelhas, azuis, eram como se fossem confeitos recheados de chocolate que se derretem na boca. O chão que pisei era todo decorado em forma de biscoito tipo “wafer” recheado de chocolate, em algumas partes, outras, morango ou limão.
Vi também uma ponte que ficava bem no meio do enorme parque, ela era toda enfeitada de suspiros brancos, muito alvos e apetitosos. Tive vontade de mastigar todos, mas tive medo de alguém ralhar.  O lago abaixo da ponte era todo de gelatina de morango, em outro pedaço parecia uma musse de limão, verde clara.
Mamãe era tudo lindo, como era lindo, como era lindo!!!
E gostoso também, fiquei com minhas mãos meladas.
Andei, corri, brinquei, e a cada passo que eu dava as belezas aumentavam e se transformavam, para minha grande surpresa. Não sei onde eu estava.
Vi esculturas de sorvete imitando zebras, elefantes, minúsculas borboletas, azuis, cobertas de açúcar, quando voavam suas asas espalhavam o açúcar no ar.
Tinha uma parte que só tinha brinquedos como escorrega, balanço. E as árvores de bombons. Lindas com embalagens douradas, brilhavam ao sol que era uma fatia de abacaxi cristalizado. Os bancos da roda gigante eram tão macios como bolos fofos, sentei e achei delicioso.
Mamãe e o céu. Ah, o céu era todo de nuvens de algodão doce.
Tinha um chafariz que era simplesmente delicioso, jorrava um guaraná geladinho, sem igual.Avistei algumas flores silvestres lindas como jujubas cobertas de pequenos pedaços coloridos.Elas se balançavam ao vento. Um canteiro de margaridas e tulipas, dourando ao sol, eram pirulitos disfarçados de flor. E os troncos das árvores, pé-de-moleque, paçoca concentrada, e também os galhos de algumas árvores eram como se fossem fiapos de cocada e fios de ovos.
Ah como era lindo!
Ao entardecer notei que uma chuva fininha começou a cair, eram gotas de mel...

Veio o jantar para a menina que ainda estava internada no hospital. Ela não conseguiu sequer olhar para a sobremesa.
Já estou farta de tanto doce! Chega por hoje!

Aradia Rhianon