O direito das crianças








Toda crian
ça no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Crian
ça tem que ter nome
Crian
ça tem que ter lar
Ter sa
úde e não ter fome
Ter seguran
ça e estudar.
 
N
ão é questão de querer
Nem quest
ão de concordar
Os diretos das crian
ças
Todos tem de respeitar.
 
Tem direito
à atenção
Direito de n
ão ter medos
Direito a livros e a p
ão
Direito de ter brinquedos.

Mas crian
ça também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter l
ápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha rob
ô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir hist
órias do avô.
 
Descer do escorregador,
Fazer bolha de sab
ão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinha
ção.
 
Morango com chantilly,
Ver m
ágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!
 
Lamber fundo da panela
Ser tratada com afei
ção
Ser alegre e tagarela
Poder tamb
ém dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
 
Um passeio de canoa,
P
ão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho
à toa...
Contar estrelas no c
éu...

Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cahorro-quente.

Festejar o anivers
ário,
Com bala, bolo e bal
ão!
Brincar com muitos amigos,
Dar pulos no colch
ão.
 
Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Algu
ém para querer bem...

Festinha de S
ão João,
Com fogueira e com bombinha,
P
é-de-moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.

Andar debaixo da chuva,
Ouvir m
úsica e dançar.
Ver carreiro de sa
úva,
Sentir o cheiro do mar.
 
Pisar descal
ça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de jo
ão-de-barro,
Noite de muito luar.

Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada...
Falar pelos cotovelos.
 
E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensa
ção de bem-estar...
De prefer
ência um colinho.

Uma caminha macia,
Uma can
ção de ninar,
Uma hist
ória bem bonita,
Ent
ão, dormir e sonhar...
 
Embora eu n
ão seja rei,
Decreto, neste pa
ís,
Que toda, toda crian
ça
Tem direito a ser feliz!


Ruth Rocha

Apelido não tem cola






Quando eu era pequena, meus pais morreram e meus tios cuidaram de mim.
Então eu virei filha deles e eles viraram os meus pais.
Um dia, escorreguei da árvore e
 Acabei pendurada pelo pescoço entre dois galhos.
Meu tio que virou pai me salvou daquele sufoco.
Ah! Como é bom ter um pai que antes era tio.
Meu avô, que não era meu avô mas que virou porque é pai de meu tio que virou pai veio logo rindo e falando assim:
- Essa minha neta torta mais parece um macaquinho!
Ah! Então eu era torta?  Eu sabia que minhas pernas era um pouquinho tortas,  mas não sabia que eram tanto...
Fui correndo para o quarto, fiquei me olhando um tempão no espelho e juro que não me achei tão torta assim. Mas meu avô falou,  então eu devo ser.
Que horrível! Acabei chorando muito e escondendo minhas pernas debaixo do cobertor pra ninguém mais ver.
Aí escutei minha mãe me chamando:
- Lívia, Lívia, onde você está?
Ela acabou me pegando de nariz vermelho de tanto chorar. Quis logo saber o que tinha acontecido. Claro, contei tudinho.
Ela sorriu e disse que não era torta. Neta torta era o apelido dos netos adotivos e que meu avô torto, que também não era torto de verdade, gostava muito de mim.
Ah! Que alívio! Como é bom ter uma mãe que antes era tia.


Regina Otero e Regina Rennó